Revista Pool-life | Edição 82


HERÓI DUAS VEZES
Bombeiro supera limite e se torna atleta após acidente
reportagem: Luciana Caczan
 
 
Bombeiros ultrapassam limites, enfrentam qualquer desafio e não hesitam em arriscar a própria vida para salvar o próximo. É uma profissão que exige força, coragem, agilidade e, principalmente, comprometimento. Não é à toa que o bombeiro é considerado um herói.
 
Edson Magalhães, 54 anos, conta que ter se tornado bombeiro foi uma das grandes emoções de sua vida: “todos os dias é uma emoção diferente, ajudando os seres humanos e a natureza. É um sacerdócio”. 
 
No entanto, a carreira de Edson foi interrompida aos 42 anos, quando ainda morava em Guarulhos, grande São Paulo. Por volta das 21h30 do dia 3 de fevereiro de 2007, o sargento recém-formado do Corpo de Bombeiros se dirigia de moto ao trabalho quando foi atingido por um automóvel que vinha na pista contrária. O motorista estava alcoolizado e pegou Edson de frente.
 
Apesar da gravidade do acidente, Edson não perdeu os sentidos e testemunhou o momento em que o motorista tentou fugir e acabou batendo em outro carro. O bombeiro ainda tentou se levantar e no mesmo instante percebeu que algo mais estava errado.
 
Edson teve fraturas expostas nas pernas e na escápula, fratura nos punhos, fêmur e na coluna, o que danificou sua medula. Depois de passar por várias cirurgias veio a notícia: estava tetraplégico. Ele agora era chamado para seu maior desafio: sua própria superação.
 
 
ADAPTAÇÃO À NOVA VIDA
 
Com o dinheiro do seguro do acidente, Edson e a família se mudaram para Atibaia. A casa precisou ser toda adaptada para que ele pudesse se sentir o mais confortável possível dentro de sua nova realidade.
 
As sessões de fisioterapia fizeram com que, pouco a pouco, Edson fosse melhorando até que conseguisse retomar os movimentos dos braços, mas as dores não davam trégua ao bombeiro; muitas vezes acordava de um sono profundo por causa da dor. Foi então que Edson ouviu o apelo de amigos da família e decidiu buscar apoio para construir uma piscina no quintal de sua casa.
 
 
 
Edson e seus amigos na construção da piscina
 
 
Sônia de Aquino, a esposa do bombeiro, foi a responsável por conseguir toda a ajuda necessária para que Edson tivesse acesso a mais esse recurso para melhorar sua condição física.
 
Piscina pronta e agora era possível amenizar as dores. “Passo muito tempo sentado ou deitado por causa da paraplegia. O atrito da pele com o apoio forma escaras (feridas que podem chegar até os ossos quando não são tratadas adequadamente). 
 
Ficar com o corpo submerso na piscina ajuda a diminuir a pressão causada pelo atrito, eliminando a formação das escaras e causando alívio nas dores, o que aumenta a minha qualidade de vida”, conta Edson. A água é onde o bombeiro se liberta de sua cadeira e pode relaxar os músculos castigados.
 
 
Piscina do Edson construida e abastecida
 
 
 
Parte da equipe de atletas da APA
 
 
 
UM VELHO TALENTO AGORA DESPERTOU UM NOVO OLHAR
 
Com a piscina em casa, Edson agora via nascer novas possibilidades para o futuro. Em uma reunião de bairro, o bombeiro encontrou um professor de educação física que o convidou a participar da turma de natação para pessoas com deficiência.
 
Edson se dirigiu até o local, entrou na piscina e foi aí que tudo mudou. Ele não apenas começou a nadar, como passou a competir na categoria PcD (pessoas com deficiência).
 
A história de final triste se transformou em uma história de recomeço. Com a nova atividade, Edson e mais oito amigos com deficiência física decidiram fundar, em 2010, a APA - Associação Paradesportista de Atibaia, em que hoje atua como presidente e atleta de natação.
 
Do começo tímido de apenas nove membros, a APA atualmente conta com mais de 150 atletas com deficiência física ou intelectual, que participam de competições por todo estado de São Paulo.
 
A atuação na APA permitiu que Edson começasse a enxergar o acontecido de maneira diferente. “É tudo muito difícil no começo e o primeiro pensamento é que tudo está perdido. A verdade é que enquanto há vida, sempre vai haver uma solução. Tenho um amigo que está totalmente tetraplégico e mal mexe a cabeça, e, ainda assim, joga xadrez. É importante lembrar que a vida não acabou, sempre tem um recomeço”, finaliza.
 
 
Edson recebendo premio de primeiro lugar no Circuito Paulista
de esportes para Deficientes Físicos e Vísuiais
 
 
 

 

COMPARTILHE:

Copyright © 2018 GENCO® | Todos Direitos Reservados

www.genco.com.br | www.gencopet.com.br | www.aquatrat.ind.br