Revista Pool-life | Edição 82


EPIDEMIA DE DENGUE
O controle é dever de todos afirma Mestre em saúde pública pela USP
reportagem: Luciana Caczan
 
 
Mesmo com todas as campanhas que alertam sobre a prevenção, a população ainda sofre com a epidemia da dengue. Entenda o que é preciso fazer para não contribuir com a proliferação do mosquito, que a transmite.
 
O acesso à informação parece não ser suficiente quando o assunto é dengue e demais doenças como Zika Vírus e Chikungunya, disseminadas pelo mosquito Aedes aegypti. 
 
Dados levantados pelo Ministério da Saúde, apontam que nos primeiros três meses de 2019 os casos de dengue no Brasil cresceram 339% e quase mil cidades estão à beira de um surto da doença.
 
Enquanto 2019 já ostenta mais de 450 mil casos registrados de dengue, zika e chikungunya, o mesmo período em 2018 registrava pouco mais de 102 mil casos. De acordo com o Ministério da Saúde, São Paulo e Minas Gerais são as cidades campeãs de registro dessas doenças.
 
De acordo com Rodrigo Said, Coordenador Geral dos Programas Nacionais de Controle e Prevenção da Malária e das Doenças Transmitidas pelo Aedes aegypti, este aumento se deve a alguns fatores: “nos últimos dois anos o país passou por períodos fora da sua sazonalidade, com redução de casos, e, desde o ano passado, as condições ambientais foram propícias para a proliferação dos mosquitos com aumento de temperatura e mais chuvas”.
 
 
 
INFORMAÇÃO É PODER NO COMBATE À DENGUE
 
Os dados alarmantes exigem reflexão: ainda há falta de informação sobre como combater a proliferação do Aedes aegypti?
 
aedes
 
Momento exato da picada do Aedes
 
 
João Paulo Correia Gomes, Especialista em Entomologia pela Unesp e Mestre em Saúde Pública pela USP, explica que a forma mais eficiente de combater a dengue é eliminar os criadouros dos mosquitos: “os mosquitos na fase jovem (ovo, larva e pupa) vivem na água. Só para se ter uma idéia, um mosquito fêmea pode colocar aproximadamente uns 10 ovos em uma tampinha de refrigerante que esteja com água. Outras formas de se evitar a dengue é a utilização de repelentes e inseticidas.”
 
Gomes ainda afirma que é da pupa que surgem os mosquitos adultos. Mas como ocorre a transmissão? “O ciclo de transmissão ocorre quando uma fêmea do mosquito pica uma pessoa infectada. Aí ela fica com o vírus e as próximas pessoas que ela picar serão infectadas por esse vírus”, esclarece.
 
ciclo de vida aedes
 
 
 
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA DENGUE
 
Nem todas as pessoas apresentam o mesmo tipo de manifestação clínica dos sintomas da dengue depois de infectadas, segundo Gomes.
 
“Há diferentes formas de manifestação. Desde assintomáticos até formas graves que são as hemorrágicas. Geralmente a forma clássica apresenta febre alta, cefaléia, prostração, artralgia, náuseas, vômitos, exantema e prurido cutâneo. Já na forma hemorrágica os sintomas iniciais são semelhantes ao da dengue clássica mas ocorre um agravamento do quadro após 2 a 3 dias, com aparecimento de hemorragias”, declara.
 
O professor João Paulo Correa Gomes acrescenta que o Aedes aegypti não transmite dengue aos animais de estimação, mas ainda assim é preciso ter cuidado. “O Aedes aegypti não transmite dengue, Zika vírus ou Chikungunya para os cães, gatos e outros. Mas esse mosquito pode transmitir uma doença chamada Dirofilariose, pois ele pode carregar o verme Dirofilaria immitis que, no cachorro por exemplo, causa lesões no coração e nos vasos sanguíneos, podendo levar a óbito se não for tratado”, pontua.
 
 
A PREVENÇÃO É UM DEVER DE TODOS
 
João Paulo Correia Gomes reforça que a responsabilidade de controlar a proliferação do mosquito Aedes Aegypti é de todos, governo e sociedade.
 
“Acho importante reforçar que todos (governo e sociedade) são responsáveis pelo controle da dengue e que a população deve ficar atenta e evitar deixar água parada em suas residências e no peridomicílio”, conclui.
 

 
PISCINAS ABANDONADAS SÃO GRANDES CRIADOUROS DO MOSQUITO
 
 
Uma dúvida muito comum que ocorre  é sobre os cuidados que devem ser tomados com a água da piscina para evitar a proliferação do mosquito.
 
O tratamento da água da piscina deve ser continuo o ano todo, mesmo em baixas de temperatura ou em longos períodos de chuva, quando a utilização é pouca ou quase nenhuma. A água deve estar dentro dos parâmetros de cloro livre sendo analisada regularmente. A filtração da água e a limpeza da borda também não podem ser abandonadas.
 
piscina abandonada
 
Piscina de clube abandonada com acumulo de água parada sem tratamento
 
 
Imóveis com entulho e piscinas sem tratamento podem ser multadas. Agentes de saúde podem entrar em imóveis públicos e privados abandonados para fazer vistoria e autuar proprietários em caso de abandono de piscina e descuido com entulhos e água parada.
 
Através de denúncias da população os agentes de vigilância epidemiológica fazem visitas e conversam com os proprietários verbalmente e dão um prazo de sete dias para solucionar o problema. Se no prazo cedido o problema não for resolvido o proprietário é autuado por crime ambiental. 
 
Em casas ou terrenos abandonados os agentes podem entrar com  ação na justiça e obter liminar para invadir o local e inspecionar todo o terreno a procura de focos de proliferação do mosquito Aedes aegypti. Encontrando  problemas o imóvel incorre em infração pelo registro de IPTU.  O valor das multas variam em cada município podendo chegar até 5 mil reais.
 
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