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Revistas Edição 91 Cultura
PISCINA TAMBÉM É ARTE!
França transforma a piscina de Roubaix em lugar único ao criar Museu da Arte e da Indústria
 
Foto de Wikimedia Commons
 
Nas proximidades de Lille, quarta maior região metropolitana francesa, está uma das piscinas mais inusitadas do mundo: a piscina de Roubaix, uma preciosidade em Art Deco. Seu diferencial está no fato de ter sido transformada em museu, o Musée d’Art et d’Industrie André-Diligent (Museu da Arte e da Indústria André Diligent) mais popularmente conhecido como o Musée La Piscine.
 
Construída entre 1927 e 1932 em Roubaix pelo arquiteto Albert Baert, o La Piscine foi por mais de 50 anos o único espaço de lazer para uma grande parte da população. Na época, esta piscina oferecia serviços esportivos e de higiene de alta qualidade dotados de uma inovadora operação social que apresentava a imagem de uma equipe municipal de origem operária e capaz de promover projetos excepcionais e de prestígio. Hoje, a construção é tombada como patrimônio do século XX.
 
A piscina foi concebida como um santuário de higiene em resposta às difíceis condições de vida da classe trabalhadora. Ocupava um lote e um antigo jardim ornamental projetado para uma família da burguesia têxtil. Esta zona de convívio e caldeirão social foi o único ponto de encontro onde, durante décadas, os filhos dos industriais e o mundo dos courées viveram realmente lado a lado.
 
Em seu projeto e na decoração das instalações, Albert Baert multiplicou os componentes simbólicos que contribuem para o charme e o interesse do local. Reinterpretando o traçado das abadias cistercienses num espírito neobizantino, o edifício organizou-se em torno de um jardim claustral. 
 
A grande nave da basílica da bacia, iluminada por vitrais que simbolizam o nascer e o pôr do sol, ocupa o lugar da capela abacial. A ala dos banhos distribuiu-se por dois pisos com pequenas celas, que ritmam as fachadas voltadas para o jardim. Insere-se neste esquema o refeitório ou “refeitório dos nadadores” onde, no apogeu do luxo, foram também instalados um salão de cabeleireiro, manicure e pedicure, banhos turcos e lavanderia industrial.
 
Fechada por motivos de segurança em 1985, a piscina ganhou nova vida e, em 21 de outubro de 2001, abriu as suas portas como o Museu da Arte e da Indústria André Diligent. O projeto de renovação foi realizado pelo arquiteto Jean-Paul Philippon, o mesmo arquiteto responsável pelo projeto do Musée d'Orsay em Paris. A reforma que transformou a piscina em museu valorizou ainda mais as características originais e incorporou a coleção de quadros e esculturas perfeitamente ao espaço.
 
Na exposição permanente, algumas esculturas estão alinhadas na borda da pequena piscina que ocupa parte da piscina original, que é possível identificar, por causa dos azulejos, e a luz natural filtrada pelo vitral colorido deixa tudo ainda mais mágico. Os antigos vestiários foram transformados em pequenas galerias, onde ficam pinturas e esculturas dos séculos XIX e XX. 
 
“O acervo deste museu foi uma maravilhosa surpresa para mim. Distribuído ao longo das antigas cabines de duche é possível admirar obras, algumas pouco conhecidas, amante de Roubin”, conta Teresa Leal, do blog Teresa vai de férias.
 
Para chegar ao coração do museu, o arquiteto brincou com a transparência, permitindo que os visitantes tenham um vislumbre de cada parte do local à medida que avançam. No andar de cima, há uma coleção de têxteis e peças de vestuário, que vai agradar quem gosta de história da moda.
 
Outra ótima surpresa é o restaurante/casa de chá instalado na antiga cantina da piscina: a Maison Méert, uma grande confeitaria de Lille fundada em 1761 e conhecida mundialmente por sua receita de gaufre à la vanille de Madagascar criada em 1849.
 
“Pode soar romantizado demais, mas juro de pés juntos que me senti especial por estar lá. Eu tenho o privilégio de ter conhecido museus lindos e quero muito conhecer outros tantos, mas La Piscine agora é a resposta que tenho na ponta da língua se alguém me perguntar qual o museu mais bonito que já fui”, entusiasma-se Heloisa Righetto, do blog Aprendiz de Viajante.
 
Para completar o belo cenário, um fundo sonoro com o burburinho de crianças brincando na água podem ser ouvidos de tempos em tempos, para lembrar aos visitantes o que foi este lugar.
 
 

 

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