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  • EDIÇÃO ATUAL Nº 97

Blog 22/4/2026
 
Excesso de uso pode causar lesão de “ombro de nadador”
autor: Marcelo Barros de Vasconcellos
 
Atletas de muitos esportes desenvolvem um grande número de lesões por excesso de uso. De fato, considerando que passam muito tempo treinando, novas lesões podem surgir se a carga de treino for inadequada. 
 
Lesões no ombro, por exemplo, podem ocorrer especialmente em atletas que realizam movimentos acima da cabeça com alta intensidade e amplitude extrema de movimento¹.
 
Na natação, a inumerável repetição de movimentos durante vários anos de treinamento intenso, a natureza única dos diferentes estilos de nado e o alto volume de repetições², aliados à crescente falta de equilíbrio muscular da cintura escapular, são os principais fatores etiológicos para o desenvolvimento da síndrome por excesso de uso denominada “ombro de nadador”³.
 
O “ombro de nadador” é um termo que pode representar diversas patologias do ombro. Foi utilizado pela primeira vez por Kennedy e Hawkins, em 1974, para descrever o impacto do tendão supraespinhal sob o arco coracoacromial, encontrado em nadadores devido a repetidas abduções do ombro e movimentos de flexão anterior².
 
O médico é capaz de diferenciar essas etiologias² e indicar o melhor momento para que o atleta retorne ao esporte de forma adequada, estando apto para a prática esportiva.
 
Avaliação
 
A articulação do ombro é a mais móvel do corpo, graças à interação entre ossos e articulações envolvidas nessa estrutura complexa, que proporciona estabilidade, equilíbrio, mobilidade e suporte¹.
 
Embora a condição geralmente seja identificada clinicamente, exames de imagem – como radiografia, ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética – são frequentemente necessários para confirmar o diagnóstico².
 
Nesse contexto, serão apresentados dois testes que médicos ou fisioterapeutas utilizam para avaliar anormalidades no ombro: o teste de Jobe e o teste de queda do braço.
 
 
1. Teste de Ombro de Jobe
 
 
O teste de Jobe tem como objetivo avaliar alterações no tendão do músculo supraespinhal. O indivíduo realiza elevação ativa do membro superior, com o cotovelo em extensão e rotação interna, contra a resistência aplicada pelo examinador. Essa posição aumenta a tensão sobre o tendão do supraespinal.
 
A resposta pode ser apenas dor na face ântero-lateral do ombro, acompanhada ou não de diminuição de força, ou até mesmo incapacidade de elevar o membro superior, indicando desde tendinite até ruptura completa do tendão⁴.
 
 
2. Teste de Queda do Braço
 
 
Esse teste detecta a presença de ruptura do manguito rotador. O indivíduo realiza uma abdução do braço a 90°, e o examinador solicita que ele retorne à posição inicial lentamente. Em caso de ruptura, o indivíduo não consegue controlar a descida, e o braço cai bruscamente ao lado do corpo⁴.
 
O professor de Educação Física pode utilizar uma escala subjetiva de dor para monitorar o aluno e recomendar a ida ao médico ao menor sinal de anormalidade. Para isso, o aluno deve indicar como se sente em uma escala simples, de 1 a 4:
 
1: percepção de que algo está errado, sem dor;
2: dor definida, facilmente distraível;
3: dor definida, não distraível;
4: dor extremamente intensa, com sofrimento acentuado.
 
 
Educar para não lesionar
 
Para diminuir o risco de “ombro de nadador”, associado a diversos fatores musculoesqueléticos, os exercícios terapêuticos são uma ferramenta preventiva eficaz. Programas de fortalecimento realizados fora d’água podem melhorar a força e a resistência dos músculos do manguito rotador, reduzindo fatores de risco dessa condição.
 
Outra possibilidade é a utilização de exercícios de alongamento e fortalecimento para melhorar a postura do ombro, diminuindo o risco de desenvolvimento da lesão².
 
Como forma de prevenção, é fundamental buscar orientação de um profissional de saúde ao iniciar a prática de exercícios e relatar prontamente qualquer dor ao professor.
 
Também é importante procurar um fisioterapeuta, que pode auxiliar no aprimoramento do controle do movimento do ombro em nadadores com dor¹.
 
Referências:
  1. Raffini A, Martini M, Mazzari L, Buoite Stella A, Deodato M, Murena L, Accardo A. Impact of Physiotherapy on Shoulder Kinematics in Swimmers with Swimmer’s Shoulder Pain. Sensors (Basel). 2024 Dec 12;24(24):7936.
  2. Davis DD, Nickerson M, Varacallo MA. Swimmer’s Shoulder. 2023 Nov 22. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan–. PMID: 29262079.
  3. Venancio BO, Tacani PM, Deliberato PCP. Prevalência de dor nos nadadores de São Caetano do Sul. Rev Bras Med Esporte. 2012. 18(6): 394-99.
  4. Diniz MF; Vasconcelos TB; Arcanjo GN. Análise da incidência de lesões na articulação do ombro em atletas de natação. Rev Fisioter S Fun. Fortaleza, 2015; 4(1): 14-22.
 
Fonte: https://revistaempresariofitness.com.br/excesso-de-uso-pode-causar-lesao-de-ombro-de-nadador/
 

 

Sobre o autor

 
 Marcelo Barros de Vasconcellos
 
Marcelo Barros de Vasconcellos
 
Marcelo Barros de Vasconcellos é Professor Associado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Especialista em Atividades Aquáticas, Mestre em Saúde Coletiva, Doutor pelo Centro de Ciências da Saúde, autor dos livros Natação Monitorada e Hidroginástica + Segura, Benéfica e Variada.

 

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