Revista Pool-life | Edição 65


BRASIL LEVARÁ SUA MAIOR EQUIPE DE NATAÇÃO PARA OS JOGOS DE ATENAS
 
 
Com o encerramento do Troféu Brasil de Natação, no início de maio, realizado no Parque Júlio de Lamare, Rio de Janeiro, o Brasil ficou conhecendo a equipe de nadadores que irá representá-lo nos Jogos Olímpicos de Atenas (Grécia), em agosto próximo. 
 
O país levará à capital grega sua maior delegação de natação, desde 1920, quando passou a participar das Olimpíadas. Serão 20 atletas (6 mulheres e 14 homens), alguns deles classificados nos momentos finais do Troféu Brasil de Natação. A equipe de natação que irá aos Jogos de Atenas 
 
Antes dos Jogos porém, os atletas e técnicos deverão treinar em Sierra Nevada, na Espanha, e competir, em Canet, na França, na etapa do Circuito Europeu.
 
A última competição internacional antes dos Jogos Olímpicos será o evento teste, em Atenas, na segunda semana de junho. 
 
Thiago Pereira, do Minas Tênis, uma das promessas da natação brasileira, foi a sensação do Troféu Brasil ao marcar 1m59s92 nos 200 m medley. Além de ser o primeiro brasileiro a nadar a distância abaixo dos dois minutos, Thiago voltou a ser o segundo do ranking mundial de 2004 perdendo apenas para o americano Michael Phelps, recordista mundial da prova em 2004, com lm56s80. Thiago superou ainda o japonês Jiro Miki, que fez 1m59s99 no campeonato japonês, em abril, tornando-se o responsável pelo melhor índice técnico masculino brasileiro, além de faturar o prêmio como o nadador mais eficiente. 
 
Dias antes, Thiago Pereira bateu o recorde mais antigo da natação brasileira, estabelecendo uma nova marca nacional e sul-americana para a prova dos 400 m medley, ao marcar 4minl 7s62 na final do Troféu Brasil, superando a marca estabelecida por Ricardo Prado há vinte anos. O novo recordista recebeu das mãos do próprio Ricardo Prado a medalha de ouro pela vitória no Troféu Brasil.
 
Na natação feminina, o destaque ficou por conta da nadadora Rebeca Gusmão, que estabeleceu um novo recorde sul-americano para a distância. Rebeca conseguiu a marca de 25s17, melhorando o recorde que pertencia a Flávia Delaroli, com 25s39.
 
Já o campeão Gustavo Borges, maior medalhista olímpico da história da natação brasileira, começa a preparar sua aposentadoria. Aos 31 anos, ele se despediu das competições nacionais, sendo homenageado no encerramento do Troféu Brasil de Natação, e revelando que pode desistir dos 100 m nado livre. A despedida definitiva das raias, no entanto, deverá ocorrer em Atenas, após a participação na disputa do revezamento 4 x 100 m livre. Gustavo é dono de quatro medalhas olímpicas: prata na modalidade individual nos Jogos de Barcelona, em 1992, bronze em Atlanta, em 1996, prata nos 200 m livre, também em Atlanta, e bronze no revezamento 4 x 100 m livre, em Sydney, em 2000. 
 
 
 
 
A NATAÇÃO COMO ESPORTE OLÍMPICO 
 
A natação está presente nas Olimpíadas desde 1894. O Brasil participou dos jogos pela primeira vez em 1920, em Antuérpia, na Bélgica, mas foram necessários 32 anos para que o primeiro nadador brasileiro subisse ao pódio, fato ocorrido em 1952, em Helsinque, na Finlândia (veja o quadro de medalhas conquistadas na página 10).
 
Desde então, a natação tem-se destacado como um dos esportes que mais conquistaram medalhas em Jogos Olímpicos em que o país esteve presente. São 3 medalhas de prata e 6 de bronze, conquistadas em 7 Olimpíadas dentre as 18 em que o Brasil participou e as 19 edições olímpicas da era Moderna. 
Ao longo de 8 décadas, desde sua primeira participação, o Brasil conta em sua galeria com alguns atletas de destaque internacional como Djan Madruga/anos 1970 e 1980, Ricardo Prado/1980 e 1990, Gustavo Borges e Fernando Scherer, de 1990 até a atualidade. 
 
O melhor desempenho de uma equipe nacional ocorreu nos Jogos Olímpicos de Atlanta, nos EUA, em 1996, quando o país conquistou 3 medalhas, sendo duas de bronze e 1 de prata. Fernando Scherer ganhou bronze nos 50 metros livre, enquanto Gustavo Borges ficou com o bronze e a prata nos 100 m livre e 200 m livre, respectivamente. Na mais recente edição olímpica em Sidney, Austrália, em 2000, o Brasil conquistou o bronze no revezamento 4x 100 metros livre, com uma equipe constituída pelos nadadores Fernando Scherer, Gustavo Borges, Carlos Jayme e Eduardo Valério. 
 
 
MEDALHAS CONQUISTADAS PELA NATAÇÃO BRASILEIRA EM JOGOS OLÍMPICOS
 
Sydney 2000 – Austrália 
 
O Brasil manteve a tradição de conquistar medalhas olímpicas na natação. Fernando Scherer, Gustavo Borges, Carlos Jayme e Edvaldo Valério ganharam a medalha de bronze no revezamento 4x 100 m livre.
 
Atlanta 1996 – EUA 
 
O Brasil conquistou 3 medalhas olímpicas na natação, sendo 2 de bronze e 1 de prata. Gustavo Borges ficou com a prata nos 200 m livre e bronze nos 100 m livre, enquanto Fernando Scherer, conquistou bronze nos 50 m livre. 
 
Barcelona 1992 – Espanha 
 
O nadador Gustavo Borges, em brilhante atuação, classificou-se em segundo lugar nos 100 m livre, conquistando a medalha de prata.
 
Seul 1988 – Coreia do Sul 
 
Em Seul, a natação brasileira não conseguiu conquistar nenhuma medalha. 
 
Los Angeles 1984 – EUA 
 
Los Angeles foi pela segunda vez sede dos Jogos Olímpicos. A primeira foi em 1932. Nesse ano, Ricardo Prado consagrou-se como a grande atração brasileira nas piscinas. O nadador conquistou a medalha de prata na prova de 400 m medley, com o tempo de 4 min 18s45, e o quarto lugar nos 200 m costas. 
 
Moscou 1980 – Rússia (então União Soviética)
 
Na natação, a representação brasileira ficou com a medalha de bronze nos 4x200m livre, fruto do esforço dos nadadores Djan Garrido Madruga, Marcus Laborne Mattioli, Ciro Marques Delgado e Jorge Luiz Leite Fernandes, com o tempo de 7min29s30. Djan Madruga classificou-se ainda em quinto lugar nos 400 m medley e em quarto nos 400 m livre. 
 
Montreal 1976 – Canadá 
 
Na natação, Djan Garrido Madruga ficou em quarto lugar duas vezes: na prova de 400 m livre, com 3min57s 18, e nos 1.500m livre, com o tempo de 15 min 19s84. Não obteve medalhas. 
 
Munique 1972 – Alemanha Ocidental 
 
O Brasil obteve o quarto lugar na natação, na prova de revezamento 4x 100 m, com os atletas José Roberto Diniz Aranha, Paulo Becskehazy, Paulo Zanetti e Ruy Tadeu A. de Oliveira. Os nadadores concluíram a prova com o tempo de 3min33s 14. A quarta colocação foi alcançada pela mesma equipe na prova 4x400m livre.
 
Cidade do México 1968 – México
 
Na natação, José Sylvio Fiolo, recordista mundial nos 100 m peito e campeão nos Jogos Pan-Americanos do ano anterior, disputou a final. Ficou em quarto lugar, a um décimo de segundo dos segundo e terceiro colocados. Seu tempo foi de 1 min 8 s 1. 
 
Tóquio 1964 – Japão 
 
O Brasil não conquistou medalhas na natação. 
 
Roma 1960 – Itália 
 
Na natação, apenas dois décimos de segundo tiraram a medalha de ouro de Manuel dos Santos Júnior, que foi a Roma para competir nos 100 m livre. Ele terminou a prova com o tempo de 55s4, contra os 55s2 do australiano John Devit (primeiro lugar e novo recordista olímpico) e do americano Lance Larson (segundo lugar). 
 
Melbourne 1956 – Austrália 
 
O atleta José Telles da Conceição chegou em sexto lugar na final dos 200 m raso. 
 
Helsinque 1952 – Finlândia 
 
O nadador Tetsuo Okamoto conquistou a medalha de bronze nos 1.500m livre, com o tempo de 18 min 51 s3, o que lhe conferiu o apelido de “Peixe-voador”.
 
Londres 1948 – Grã-Bretanha 
 
Ao contrário do que acontecia na Grécia Antiga, onde as guerras eram suspensas para a realização dos Jogos Olímpicos, o mundo contemporâneo interrompeu a realização dos jogos durante a Segunda Guerra Mundial.
 
Os jogos previstos para 1940 e 1944 não aconteceram. Finalmente, em 1948, ainda sob o impacto do conflito, Londres sediou os XIV Jogos Olímpicos da Era Moderna.
 
As melhores classificações, mas sem medalhas ficaram com a natação e o atletismo. A nadadora Piedade Coutinho, nos 400 m livre, e a equipe composta por Eleonora Margarida J. Schimidt, Maria Angélica Leão Costa, Piedade Coutinho e Talita Alencar Rodrigues, na prova de 4x l O0m livre, terminaram a competição em sexto lugar. O nadador Willy Otto Jordan, nos 200 m peito, conseguiu a mesma classificação.
 
Berlim 1936 – Alemanha 
 
A equipe de natação contou com quatro mulheres em sua equipe: Maria Lenk, Piedade Coutinho, Scylla Venâncio e Sieglind Lenk. A nadadora Piedade Coutinho conquistou um honroso quinto lugar nos 100 m livre. 
 
Los Angeles 1932 – EUA 
 
Pela primeira vez, uma mulher latino-americana participou dos Jogos Olímpicos: a nadadora brasileira Maria Emma H. Lenk Zigler, que competiu nos 100 m livre, 100 m costas e 200 m peito, sem conseguir classificação. 
 
Amsterdã 1928 – Holanda 
 
O Brasil esteve ausente em Amsterdã por causa da crise econômica que atravessava, não dispondo de recursos para enviar uma delegação que o representasse na competição. 
 
Paris 1924 – França 
 
O Brasil enviou 11 desportistas para competir em apenas três modalidades: remo, tiro e atletismo, mas não obteve medalha em nenhuma delas. 
 
Antuérpia 1920 – Bélgica 
 
Em sua estreia em Olimpíadas, o Brasil não conquistou nenhuma medalha. 
 
 
ORIGEM DOS JOGOS OLÍMPICOS
 
Embora não seja possível precisar com exatidão quando os Jogos Olímpicos foram criados, os primeiros registros oficiais de sua existência datam de 776 antes de Cristo. Os Jogos eram celebrados em Olímpia, um vilarejo na Grécia. 
 
Como a maior parte dos torneios realizados na Grécia, uma das finalidades era homenagear Zeus, que, pela crença da época, era o pai de todos os deuses. A competição acontecia de quatro em quatro anos e tinha o poder de interromper guerras, batalhas e combates. As disputas reuniam atletas e espectadores de todas as cidades da Grécia. 
 
Apenas os cidadãos livres e natos podiam se inscrever e participar dos Jogos Olímpicos. Os atletas treinavam em suas cidades de origem durante os quatro anos que separavam uma competição da outra e esse período era denominado Olimpíada. No entanto, 60 dias antes do início dos Jogos, todos os atletas se concentravam na cidade de Elis, onde se dedicavam integralmente à preparação física. 
 
A participação dos atletas era estabelecida por um código rígido de conduta e qualquer infração era punida com rigor. As mulheres eram proibidas de assistir às disputas e as que fossem casadas corriam o risco de serem condenadas à pena de morte caso fossem Sagradas nos locais de competição. 
 
A vitória nos Jogos Olímpicos consagrava o atleta e proporcionava glória também à sua cidade de origem. 
 
De acordo com os registros oficiais, os Jogos Olímpicos duraram até o ano de 394 depois de Cristo, quando, por questões religiosas, foram abolidos pelo Imperador Teodósio, de Roma. 
 
 
OS JOGOS OLÍMPICOS DA ERA MODERNA 
 
A celebração dos Jogos Olímpicos ficou adormecida por 1500 anos. Seu renascimento, já na Era Moderna, aconteceu graças aos esforços do pedagogo e esportista francês Barão Pierre de Coubertin. Disposto a reformar o sistema educacional da França, Pierre de Coubertin viu no esporte, sobretudo nos ideais olímpicos gregos, uma fonte de inspiração para o aperfeiçoamento do ser humano. 
 
Em 23 de junho de 1894, durante um congresso de educação e pedagogia, Coubertin defendeu a criação de um órgão internacional que unificasse as diferentes disciplinas esportivas e que promovesse a realização, a cada quatro anos, de uma competição internacional entre atletas amadores, ampliando para o mundo o que já havia ocorrido na história do Estado grego.
 
Nesse dia, constituiu-se o Comitê Olímpico Internacional (COI) tomando-se a decisão de realizar a primeira Olimpíada da era moderna em Atenas dois anos depois, em 1896. Criou-se também a concepção moderna do Olimpismo, filosofia que sintetizo a relação amigável entre as pessoas de diferentes países a partir do esporte. 
 
Assim como na Antiga Grécia, os Jogos Olímpicos acontecem de quatro em quatro anos. A base atual da Olimpíada fundamenta-se no esporte, na cultura e no meio ambiente. 
 
Há também os Jogos Olímpicos de Inverno, que passaram a ser disputados a partir de 1924. O intervalo de realização também é de quatro anos, mas de forma alternada com os Jogos Olímpicos de Verão. 
 
 
 
Aparecido Francisco

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