Edição 34 - Edição Online


VOCÊ IMAGINARIA QUE UMA CRIANÇA QUE SOFRA BRONQUITE POSSA ANDAR COM OS PÉS DESCALÇOS, BRINCAR NA TERRA E AINDA, DEPOIS, NADAR NUMA PISCINA DE ÁGUA FRIA?
 
 
A primeira ideia que nos vem à mente é exatamente oposta. Costumamos imaginar essas crianças com doenças respiratórias sempre bem agasalhadas, sem tomar muito sol e entrar numa piscina fria, então, nem pensar… 
 
Mas o tratamento mais indicado é realmente esse, de viver ao máximo ao ar livre, usar roupas condizentes com o clima, banhos de piscina fria, no verão, naturalmente, e, ainda, evitar locais com poeira e bolor.
 
“A experiência me diz que contato com a água fria pode ser benéfico para as crianças com bronquite, mas esse é um assunto bastante polêmico. A primeira vez que a criança entrar numa piscina fria, certamente adoecerá, mas na quarta ou quinta vez, isso já não acontece. Assim, progressivamente, ela vai adquirindo anticorpos e passa a se defender dos vírus da gripe e resfriados que, normalmente são os precursores da bronquite”, explica o Dr. Oscar Farina, médico pediatra, professor e psicoterapeuta.
 
As características mais marcantes da bronquite são a tosse e o aumento da secreção mucosa nos brônquios, que sobrecarrega os alvéolos, resultando em chiado, ronqueira ou respiração curta e ofegante. Ela pode ou não ser acompanhada de febre, dependendo do grau da infamação. 
 
Na maioria das vezes, as mães confundem a bronquite com infecções nas vias aéreas superiores (sinusite, faringite etc.), cujas secreções mais ou menos abundantes também provocam tosse. Só que nesse caso, a tosse é benéfica: é a defesa natural do organismo para evitar a aspiração do catarro para a árvore respiratória mais baixa, onde poderia se desenvolver a bronquite. Para um diagnóstico preciso, é sempre recomendável consultar um médico especialista que indicará a medicação correta, de acordo com os sintomas da doença. 
 
A bronquite crônica, que evolui lentamente e ocorre com frequência, normalmente é de fundo alérgico. Ou seja, existe uma hipersensibilidade maior para certos elementos, que causam as crises. O campeão dos alergênicos é o ácaro, encontrado na poeira dos tapetes, cortinas e onde quer que exista mofo. Em segundo lugar, estão a caspa eliminada pelos animais domésticos (cão, gato), a poluição do ar e também as variações climáticas. 
 
Essa constituição alérgica é hereditária. “Se o pai já tem a predisposição, fatalmente o filho terá também. Não é necessário que seja bronquite, pode ser uma rinite ou eczema”, acrescenta o Dr. Farina.
 
 
A importância da natação 
 
Os movimentos ritmados com os braços e os exercícios de respiração incluídos na natação podem auxiliar na cura da bronquite crônica, porque possibilitam um maior desenvolvimento do perímetro torácico. 
 
Essa expansão do tórax é extremamente positiva e necessária, pois com a bronquite os brônquios ficam dilatados e dificultam a passagem do ar para os pulmões. 
 
Em termos musculares, as crianças que frequentam a piscina desde bem cedo, ainda bebês, têm musculatura dorsal mais desenvolvida que a de outras crianças. Isso colabora e muito para uma reabilitação física e, também, uma recuperação melhor, mais rápida e eficiente, da bronquite. 
 
Para uma criança fazer bolhas na água, bloquear a respiração num mergulho, necessita de uma inspiração mais profunda, o pulmão recebe e expele uma quantidade maior de ar, o que aumenta gradativamente sua capacidade respiratória. 
 
“A ventilação do pulmão também aumenta com a natação, fazendo com que a secreção mucosa (catarro), não fique estacionada nos brônquios e possa ser eliminada mais facilmente”, acrescenta o Dr. Farina. 
 
Para sentir os primeiros resultados, é muito importante que a natação seja levada a sério e os seus exercícios praticados corretamente e continuamente. Caso contrário, as variações de temperatura podem causar novas crises e cada crise é um retrocesso no tratamento. 
 
De acordo com essas explicações, sabemos que nadar é recomendável para quem tem bronquite e se for em piscina de água fria, melhor. Um bom motivo para se aproveitar ainda mais a piscina, onde a garotada pode se divertir a valer sem medo de prejudicar a saúde.
 
 
Dr. Oscar Farina é médico pediatra, professor e psicoterapeuta. 
Atende na Clínica Oscar Farina.

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