Revista Pool-life | Edição 65


A FAMOSA NADADORA AMERICANA GERTRUDE EDERLE FOI A PRIMEIRA MULHER A ATRAVESSAR A NADO O CANAL DA MANCHA. ERA O ANO DE 1926. GERTRUDE COM 19 ANOS DE IDADE, NADOU DA FRANÇA À INGLATERRA (21 MILHAS OU 33,6 QUILÔMETROS) EM 14 HORAS E 31 MINUTOS, QUEBRANDO O RECORDE ANTERIOR (MASCULINO) EM UMA HORA E CINQUENTA E NOVE MINUTOS. 
SEU FEITO PERMANECEU COMO RECORDE FEMININO POR 35 ANOS. 
 
 
“Diziam que mulheres não podiam cruzar o Canal a nado mas eu provei que sim.” - Gertrude Ederle
 
Gertrude Caroline Ederle, filha de imigrantes alemães, nasceu em 23 de outubro de 1905, em Nova Iorque. Seu pai, Henry J. Ederle, era um açougueiro bem-sucedido, proprietário do Mercado de Carnes Irmãos Ederle na Avenida Amsterdã. Sua mãe, Gertrude Haverstroh Ederle, era uma dona de casa que cuidava de seis crianças.
 
Gertrude (Trudy) aprendeu a nadar com sua mãe. Em sua casa de campo em Atlantic Highlands, New Jersey, num verão, a Sra. Ederle amarrou uma corda em torno de Trudy e deitou-a de bruços na água. 
 
Balançando-se na extremidade da corda, Trudy aprendeu·,o estilo cachorrinho; três dias depois tinha aprendido a nadar. Três anos mais tarde a Sra. Ederle, Trudy, suas três irmãs e dois irmãos fizeram uma exibição de natação nos Highlands. Foi lá que Trudy decidiu entrar na lista dos melhores nadadores do mundo. 
 
Quatro anos depois das primeiras braçadas, Trudy bateu o recorde de nado livre de 800 jardas com o tempo de treze minutos e dezenove segundos. Com a idade de doze anos, Trudy tornou-se a nadadora mais jovem a quebrar um recorde mundial. 
 
Após um ano de curso, Trudy abandonou a escola secundária. Ao mesmo tempo, Charlotte Epstein, da Associação de Natação de Mulheres de Nova Iorque, convenceu os patrocinadores da União Atlética Amadora a inscrever nadadoras e patrocinar encontros. 
 
A irmã mais velha de Trudy, Margaret, incentivou-a a nadar para a associação e lá Trudy recebeu suas primeiras instruções e treinamento. 
 
Durante os Jogos Olímpicos de Paris, em 1924, Trudy ganhou uma medalha de ouro e duas de bronze nas cinco competições abertas para mulheres. No ano seguinte, Trudy nadou vinte e uma milhas, de Battery, na baixa Manhattan em Nova Iorque, a Sandy Hook, Nova Jersey, em sete horas e onze minutos, superando o recorde masculino da época. Com esse tempo, Trudy bateu o recorde nacional e mundial. Em resumo, de 1921 a 1925, Gertrude Ederle estabeleceu 29 recordes americanos e mundiais em competições de natação.
 
 
A TRAVESSIA
 
Com o patrocínio da Fundação da Associação de Natação de Mulheres, Gertrude Ederle tentou pela primeira vez a travessia do Canal da Mancha homens tinham conseguido essa façanha. Dos cinco tempos, o mais rápido foi o de Enrique Tiraboschi, da Argentina, que conseguiu a primeira posição com o tempo de dezesseis horas e trinta e três minutos. 
 
Para a segunda tentativa Ederle precisava de financiamento, mas a Associação de Natação de Mulheres simplesmente não tinha os recursos necessários. Conhecendo a situação, o Capitão Patterson, um editor de jornal, concordou em lhe fornecer que não seria puxada fora da água a menos que ela própria pedisse. A probabilidade de Gertrude falhar no desafio era de três para um. 
 
O mar estava razoavelmente calmo quando a travessia começou. Pelo meio da manhã, entretanto, começou a chover e, à tarde, uma mudança da maré trouxe vento e correntes crescentes, transformando o Canal em águas revoltas. Após doze horas de travessia, os ventos alcançaram a proporção de vendaval, e seu instrutor lhe pediu que saísse da água. Ederle perguntou simplesmente “Para quê?” e continuou nadando. Quatorze horas e trinta e um minutos depois, ela saiu caminhando pela praia de Kingsdown, no litoral de Dover, tornando-se a primeira mulher a atravessar nadando o Canal da Mancha. O mar agitado a forçara nadar trinta e cinco milhas para cobrir as vinte e uma milhas de distância. No momento que terminou sua travessia Gertrude se transformou na mais famosa e comentada mulher do mundo.
 
 
O TRIUNFO 
 
Ederle retornou a Nova Iorque para ser recebida como heroína. O apito de todos os navios estacionados na baia de Nova Iorque e todas as sirenes soaram ruidosamente e aviões despejaram flores sobre ela. Após descer do transatlântico Berengária, Trudy desfilou em carreata pela Broadway sob uma chuva de serpentinas atiradas por uma multidão de dois milhões de pessoas. O prefeito de Nova Iorque comparou seu feito ao de Moisés abrindo as águas do Mar Vermelho, de César cruzando o Rubicão e de Washington, o Delaware. 
 
 
O RETIRO 
 
Gertrude Ederle nunca fez o dinheiro que merecia por seu feito e sua fama, apesar das ofertas incontáveis que recebeu imediatamente após a sua travessia do canal. Fez um filme, Swim girl, swim, e por um tempo figurou no palco em peças de vaudeville. Em 1928, teve um colapso nervoso, intensificado pela surdez. 
 
Amedrontada, retirou-se do convívio público e nos verões seguintes trabalhou como instrutora de natação. Em 1933, caiu na escada de seu apartamento, deslocando uma junção pélvica e ferindo a espinha. Passou os dois anos seguintes engessadas. Os médicos lhe disseram que nunca mais poderia nadar; ela, então, resignou-se a fazer roupas e cursos por correspondência.
 
Na feira mundial de Nova Iorque, em 1939, após entrar no Aquacadé mancando e apoiada numa bengala, nadou o comprimento de toda a piscina sob fortes aplausos, declarando-se estar tão forte e rápida como nunca, porém jamais voltou a nadar competitivamente. No início da década de 1940, completamente surda, passou a dedicar a maior parte de seu tempo a ensinar natação para crianças surdas. 
 
Viveu quietamente no bairro do Queens e, em uma entrevista nos anos 1950, descreveu-se “confortável e satisfeita”. Passou os últimos anos de vida em uma Casa de Repouso em Wycoff, Nova Jersey, cercada de certificados de natação e fotos antigas. Em um pedestal, apoiava-se a enorme taça que William Randolph Hearst lhe presenteou depois de seu triunfo. Na inscrição lê-se: "À Gertrude Ederle, primeira mulher a nadar através do Canal da Mancha, aclamada por consenso popular como o personagem mais famoso de seu tempo, este troféu é apresentado em nome do povo americano como reconhecimento das gloriosas qualidades da mulher americana que ela tão nobremente demonstrou." 
 
Gertrude Ederle nunca se casou. Faleceu em 30 de novembro de 2003, aos 98 anos de idade, de causas não reveladas. 

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