Revista Pool-life | Edição 66


BRASIL FINALIZA PARAOLIMPÍADA COM O MELHOR DESEMPENHO E O DESTAQUE NA NATAÇÃO.
 
O Brasil terminou sua participação nos Jogos Paraolímpicos de Atenas, realizados de 17 a 28 de setembro, em 14° lugar, 4 posições anteriores à alcançada na campanha da Olimpíada, com 33 medalhas (14 de ouro, 12 de prata e 7 de bronze), registrando a melhor campanha do país na história da competição.
 
Com a maior delegação já enviada – 98 atletas competindo em 13 modalidades – o Brasil teve seu melhor resultado: em qualidade, superou as 6 medalhas de ouro conquistadas em Sydney/2000, e em quantidade bateu as 27 medalhas conquistadas nos Jogos de 1984 e 1988.
 
O grande destaque brasileiro nos Jogos foi o nadador Clodoaldo Francisco da Silva. Portador de paralisia cerebral, que limitou o movimento de suas pernas, “Clodoágua” - como chegou a ser chamado pela imprensa – deixou a capital grega com 6 medalhas de ouro (50 m, 100 m e 200 m livre, 150 m medley, 50 m borboleta e 4 x 50 m medley) e uma de prata (4 x 50 m livre), após bater 5 recordes mundiais e 6 paraolímpicos.
 
Com o desempenho em Atenas, Clodoaldo totaliza na carreira 11 pódios paraolímpicos, sendo o 22 atletas brasileiro mais laureado da história, seguido apenas da velocista com deficiência visual Adria Santos, com 12.
 
Das 11 medalhas do país na modalidade, 7 foram conquistadas por Clodoaldo. As outras medalhas vieram de Fabiana Sugimori, com ouro nos 50 m livre S 11x; Edênia Nogueira Garcia, prata nos 50 m costas S4, Ivanildo Vasconcelos, prata nos 100 m peito SB4, Francisco Avelino, bronze nos 100 m peito SB4.
 
* Na natação paraolímpica, as classes de S1 a S10 incluem atletas com limitações físico motoras. De S11 a S13, estão os deficientes visuais. A classe S14 compreende atletas com deficiência mental, A classe SB corresponde ao estilo peito.
 
A Modalidade
 
A natação é um dos esportes nobres da Paraolimpíada. As competições são divididas em 3 grupos, de acordo com a deficiência dos atletas. No 1° grupo, competem atletas com deficiência visual. No 2°, os nadadores com paralisia cerebral. Um 3° grupo é formado por deficientes físicos. As regras são as mesmas aplicadas pela FINA (Federação Internacional de Natação Amadora), com algumas adaptações:
 
 – Possibilidade de escolha entre largar na plataforma ou dentro da água em algumas provas.
 
 – As competições nas categorias masculina e feminina, por equipe ou individual, abrangem os 4 estilos oficiais: peito, borboleta, costas e livre.
 
 – As distâncias variam de 50 a 800 metros.
 
 – Aos nadadores portadores de deficiências visuais permite-se receber aviso do treinador quando estão se aproximando das bordas.
 
História
 
O neurologista britânico Ludwig Guttman pode ser considerado o “Barão de Coubertin” dos Jogos Paraolímpicos. Assim como o nobre francês, Guttman foi o idealizador da competição e não economizou esforços para colocá-la em prática.
 

PARAOLIMPÍADAS E NÚMERO DE PARTICIPANTES

 

Ano

 

Cidade

 

País

 

N° de (atletas

 

N° de países

 

2004

 

Atenas

 

Grécia

 

4.000

 

143

 

2000

 

Sydney

 

Austrália

 

3.823

 

123

 

1996

 

Atlanta

 

Estados Unidos

 

3.195

 

103

 

1992

 

Barcelona

 

Espanha

 

3.020

 

82

 

1988

 

Seul

 

Coreia do Sul

 

3.053

 

61

 

1984

 

Nova York
Stoke Mandeville

 

Estados Unidos
Inglaterra

 

4.080

 

42

 

1980

 

Arnhem

 

Holanda

 

2.500

 

42

 

1976

 

Toronto

 

Canadá

 

1.600

 

42

 

1972

 

Heidelberg

 

Alemanha

 

1.000

 

44

 

1968

 

Tel Aviv

 

Israel

 

750

 

29

 

1964

 

Tóquio

 

Japão

 

390

 

22

 

1960

 

Roma

 

Itália

 

400

 

23

 
A Paraolimpíada foi disputada pela primeira vez em 1960 na cidade de Roma. Entretanto, 12 anos antes, realizou-se uma competição internacional entre atletas deficientes físicos que pode ser considerada o embrião dos Jogos Paraolímpicos.
 
Em 1948, na pequena cidade inglesa de Stoke Mandeville, Guttman organizou um torneio com 16 atletas veteranos de guerra, que sofreram lesões durante o conflito. Na mesma época, em Londres, o mundo assistia aos Jogos Olímpicos e Guttman planejou unir as duas competições.
 
Quatro anos depois, alguns atletas holandeses disputaram uma competição organizada por Guttman, que passou a ser chamada de Jogos Internacionais de Stoke Mandeville.
 
No entanto, o sonho olímpico de Guttman se tornou realidade somente em 1960, quando Antônio Maglio, diretor do Centro de Lesionados Medulares de Ostia (Itália), propôs que os Jogos Internacionais de Stoke Mandeville fossem disputados em Roma, logo após a Olimpíada.
 
A ideia foi bem recebida pelos organizadores dos Jogos Olímpicos de Roma e, dias após o encerramento da competição, Carla Gronchi declarou abertos os primeiros Jogos Paraolímpicos, com a participação de 400 atletas de cadeiras de rodas de 23 países.
 
Apesar do sucesso dos Jogos Paraolímpicos de Roma, em 1960, a competição foi desprezada nas duas décadas seguintes, sendo realizadas em locais diferentes dos Jogos Olímpicos.
 
Em 1984, por exemplo, a competição foi dividida entre duas cidades. Em Nova York, foram disputadas provas das modalidades amputados, paralisia cerebral e deficiência visual. Os atletas cadeirantes competiram em Stoke Mandeville.
 
Somente em 1988, em Seul, na Coreia, a competição voltou a ser disputada no mesmo local das Olimpíadas, constituindo parte obrigatória do planejamento dos organizadores.
 
 
Brasil na Paraolimpíada
 
A 1ª participação brasileira na Paraolimpíada aconteceu em 1972, na cidade alemã de Heidelberg. Quatro anos depois, nos Jogos de Toronto, o Brasil conquistou as primeiras medalhas: 2 de prata na bocha, com Robson Sampaio de Almeida e Luís Carlos “Curtinho”.
 
Na Holanda, em 1980, o Brasil levou apenas um nadador e a equipe de basquete em cadeira de rodas, sem ganhar nenhuma medalha.
 
A virada aconteceu em 1984. A Paraolimpíada foi disputada em 2 locais distintos: Nova York, nos Estados Unidos, e Stoke Mandeville, na Inglaterra. E o Brasil fez sua melhor campanha, conquistando 27 medalhas (7 de ouro, 14 de prata e 6 de bronze).
 
Em Seul 1988, o Brasil também conquistou 27 medalhas (4 de ouro: 10 de prata e 13 de bronze), ficar na 25ª colocação.
 
Nos Jogos de Barcelona, em 1992, a delegação brasileira terminou 302º lugar, conquistando 3 medalhas de ouro e 4 de bronze. Quatro anos depois em Atlanta, os 58 atletas que participaram dos Jogos conquistaram: 21 medalhas: 2 de ouro, 6 de prata o 13 de bronze.
 
Em Sydney/2000, a delegação brasileira realizou sua 2ª melhor campanha. Foram 22 medalhas, sendo 6 de ouro, 10 de prata e 6 de bronze. O grande destaque foi a velocista Ádria Santos, que conquistou 2 medalhas os ouro com 2 recordes mundiais e de prata nas provas de atletismo raras deficientes visuais.
 
 
 
 
 
Aparecida Francisco
Mihe Ronchi/CPB

 


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