Revista Pool-life | Edição 66


NA NATAÇÃO, NÃO EXISTE FÓRMULA PARA BATER UM RECORDE OLÍMPICO. QUEM CONHECE AFIRMA QUE, ALÉM DE MUITO TREINAMENTO E DEDICAÇÃO, É PRECISO DISPOR DE CONDIÇÕES FAVORÁVEIS.
 
 
Eles foram lá e não fizeram feio. A equipe de natação que competiu nos jogos olímpicos de Atenas, na Grécia, com 23 nadadores – 15 homens e 8 mulheres – não trouxe medalhas, mas em compensação foi a que quebrou mais recordes em toda a história da natação brasileira. Só para se ter uma ideia, foram 10 recordes brasileiros e 6 sul-americanos. Fruto da experiência? Não, com certeza, esse não foi o motivo de tanta superação. Com exceção de alguns atletas como Gustavo Borges, Fernando Scherer e Rogério Romero, a maioria da equipe disputou sua primeira olimpíada.
 
“Essa nova geração de atletas, entre 16 e 18 anos, já apresentou resultados significativos”, declara Ricardo de Moura, superintendente técnico de natação da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, CBDA.
Entre as surpresas, tivemos 8 atletas brasileiros participando de 5 finais: Flávia Delaroli (50 m livre), Joanna Maranhão (200 m medley), Thiago Pereira (200 m medley), Gabriel Mangabeira (100 m borboleta) e o revezamento de Joanna Maranhão, Monique Ferreira, Paula Baracho e Mariana Brochado (4 x 200 m livre). Nas semifinais, ainda competiram Fernando Scherer (50 m livre), Eduardo Fischer (100 m costas) e Rogério Romero (200 m costas).
 
Como proporciona ao atleta o reconhecimento mais cobiçado – a medalha –, a olimpíada não é a competição mais comum de quebrar recordes. Isso não significa que não possam surgir as exceções. A mineira Flávia Delaroli, de apenas 20 anos, que o diga. Flávia foi uma das revelações de Atenas ao alcançar o oitavo lugar, com o tempo de 2520.
 
Mas, para evoluir a ponto de modificar centésimos no relógio, é preciso treinar exaustivamente, ter talento e condições favoráveis. Em Atenas, por exemplo, esse último fator não contribuiu com os resultados. “Além da pressão da mídia e dos patrocinadores, os atletas tiveram de enfrentar o clima muito seco, a alta temperatura, a grande incidência de ventos e, o pior, piscinas abertas”, revela Moura. Segundo o superintendente da CBDA, em 2000, em Sydney, os atletas foram beneficiados por condições perfeitas de competição. Talvez por isso a quantidade de recordes quebrados tenha sido superior.
 
Enquanto em Sydney foram batidos 15 recordes mundiais e 36 olímpicos, em Atenas as marcas diminuíram para 8 e 21, respectivamente.
 
A evolução do atleta está intimamente relacionada a seu treino e à infraestrutura disponível: viagens, exames e avaliações. Flávia acredita que os bons resultados da equipe também podem ser explicados pela melhoria implantada pelo único patrocinador da natação, os Correios. “A natação brasileira está longe do seu verdadeiro potencial. De qualquer maneira, os resultados são expressivos. Em 2000, Fabíola Molina foi a única nadadora brasileira a ir para Sydney, a convite da Confederação Olímpica Brasileira, mesmo sem ter atingido o índice. Esse ano, tivemos várias mulheres brasileiras participando de três finais”, comenta a atleta. Agora é só intensificar os treinos e esperar por Pequim
 
Satiro Sodré – COB
Thais Escanhoela
 

 

Comparação dos tempos em Seul, Sydney e Atenas

 

 

Seul 1988

 

Sydney 2000

 

Atenas 2004

 

MODALIDADE

 

TEMPO

 

TEMPO

 

TEMPO

 

50 m livre masculino

 

Matthew Biondi, Estados Unidos
22"14

 

Anthony Ervin, Estados Unidos
21"98

 

Gary Hall, Estados Unidos
21"93

 

50 m livre feminino

 

Kristin Otto, Alemanha Oriental
25"49

 

Inge de Bruijn, Países Baixos
24"32

 

Inge de Bruijn, Países Baixos
24"58

 

100 m livre masculino

 

Matthew Biondi, Estados Unidos
48"63

 

Pieter van den Hoogband, Países Baixos

48"30

 

Pieter van den Hoogband, Países Baixos
48"17

 

100 m livre feminino

 

Kristin Otto, Alemanha Oriental
54"93

 

Inge de Bruijn, Países Baixos
53"83

 

Henry Jodie, Austrália
53"84

 

400 m medley masculino

 

Tomas Darnyi, Hungria
4114"75

 

Tom Dolan, Estados Unidos
4'11"76

 

Michael Phelps, Estados Unidos
4'08"26

 

400 m medley feminino

 

Janet Evans, Estados Unidos
4'37"76

 

Yana Klochkova, Ucrânia
4'33"59

 

Yana Klochkova, Ucrânia
4'34"83

 

800 m livre feminino

 

Janet Evans, Estados Unidos
8'20"20

 

Brooke Bennett, Estados Unidos
8'19'67

 

Ai Shibata, Japão
8'24"54

 

1500 m livre masculinos

 

Vladimir Salnikov, U. Soviética
15'00"40

 

Grant Hackett, Austrália
14'48"33

 

Grant Hackett, Austrália
14'43"40

 

4 x 100 m livre masculino

 

Estados Unidos
3'16"53

 

Austrália

3'13"67

 

Estados Unidos

3'30"68

 

4 x 100 m livre feminino

 

Alemanha Oriental
3140"63

 

Estados Unidos
3'36"61

 

Austrália

3'57"32

 


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