Revista Pool-life | Edição 67


SÃO REALMENTE ALTERNATIVAS PARA A CLORAÇÃO?
 
O processo de cloração da água, para livrá-la de microrganismos nocivos (desinfecção) e materiais orgânicos (oxidação), já completou mais de 100 anos e foi incluído, em uma lista elaborada pela revista Life e a Organização Mundial de Saúde, como uma das invenções mais importantes do segundo milênio (1001 a 2000).
 
O mercado de piscinas muito provavelmente deve seu grande desenvolvimento à existência da cloração, pois sem sua proteção essas massas de água representariam séria ameaça à coletividade onde estivessem instaladas. Certamente que outros produtos poderiam ser utilizados no lugar do cloro, mas é exatamente isso, outros produtos, não apenas um que o substituísse em todas suas atividades; mesmo assim, seriam utilizados em dosagens extraordinariamente altas, de forma que o custo de manter água limpa e saudável seria muitas vezes superior àquele propiciado pelo cloro, isto é, a piscina seria um artigo de altíssimo luxo, exclusivo de pouquíssimas pessoas. Conclusão: o mercado não teria se tornado tão pujante e desenvolvido como é hoje, em termos globais.
 
Como o cloro domina todo o mercado mundial de tratamento de água é natural que surjam a todo tempo, produtos e inovações para abocanhar uma fatia desse mercado potencial. Mas, em 100 anos, nenhuma das alternativas apresentadas conseguiu substituí-lo. Algumas podem reduzir seu consumo, o nível de seu residual, mas nenhuma o elimina inteiramente.
 
Não porque o cloro seja perfeito. Ele tem suas insuficiências. Só que todas elas são bem conhecidas e sobejamente estudadas, e para superá-las foram desenvolvidos processos e/ou alternativas que continuam mantendo o cloro como o produto imbatível para o tratamento primário de água para fins potáveis, recreacionais e industriais.
 
Você vai ler ou ouvir dizerem que “este” ou “aquele” produto é superior ao cloro em algum desses tópicos. Pode ser verdade. Mas nenhum produto refine todas essas características ao mesmo tempo.
 
Apresentaremos a seguir um resumo dos “cloros” e de “alternativas” com os devidos comentários.
 
MAS, AFINAL, POR QUE O CLORO É IMBATÍVEL?
 
Eis algumas razões:
 
1. Elevado poder germicida que elimina a maioria dos tipos de microrganismos patogênicos.
 
2. Elevado poder oxidante que elimina os resíduos dos microrganismos mortos.
 
3. Propriedade de deixar residual capaz de manter a higienização da água após o tratamento, impedindo a reinfecção.
 
4. Eficiência em baixos residuais.
 
5. Baixa toxicidade nas concentrações recomendadas de uso.
 
6. Capacidade de reação com compostos sulfurados e nitrogenados, como sulfeto de hidrogênio e amônia, provenientes de resíduos orgânicos e que conferem ã água sabor e odor desagradáveis.
 
7. Facilidade de análise e controle em campo.
 
8. Disponibilidade em todas as formas que se desejar: gás, líquido, sólido (grânulos e tabletes).
 
9. Baixo custo.
 
10. Longa experiência adquirida (mais de um século de história e utilização) no tratamento de água com finalidade potável, recreacional e industrial.
 
 
CLORO
 
O verdadeiro cloro é um gás. É utilizado em grandes instalações de tratamento de água e constitui o padrão para medir a concentração dos produtos liberadores de cloro, sendo considerado como 100% de cloro ativo. Os produtos listados a seguir são impropriamente chamados de cloro porque em reação com a água formam o mesmo ácido hipocloroso que o cloro gás em reação com a água (o ácido hipocloroso é o verdadeiro desinfetante/oxidante).
 
Cloro líquido – ou hipoclorito de sódio — é uma solução que contém cerca de 10% de cloro ativo. É uma forma de baixo custo, porém de alta instabilidade, pois se decompõe facilmente e perde seu teor de cloro muito rapidamente.
 
Cloro Granulado – Há no mercado brasileiro duas apresentações importantes de cloro granulado:
 
a) o hipoclorito de cálcio (cloro não estabilizado) — que contém 65% de cloro ativo, mas cujo residual não tem estabilidade sob a luz solar (que destrói o ácido hipocloroso gerado, urna das fraquezas do cloro);
 
b) o dicloro-isocianurato de sódio (cloro estabilizado) — que contém 60% de cloro ativo, mas cujo residual resiste aos raios solares e se mantém na água por mais tempo.
 
Cloro em tabletes – ou tricolor-s-triazina triona, que contém até 90% de cloro ativo, de dissolução lenta, para cloração contínua e automática dentro de dosadores apropriados. Também é estabilizado contra a perda de residual pela luz solar.
 
GERADOR DE CLORO
 
Aparelho elétrico/eletrônico que produz o gás cloro diretamente na água da piscina a partir de sal (cloreto de sódio). Este método é também conhecido impropriamente como “salinização”.
 
OZONIZADOR
 
Aparelho elétrico/eletrônico que produz ozônio (O3) a partir de oxigênio. Poderoso oxidante, elimina cloraminas e outros materiais orgânicos. Muito utilizado no lugar do cloro para oxidação de água que contenha alto teor de precursores de THM (ácidos húmicos, fúlvicos, clorofórmio, etc). THM (tri-halo metanos) são compostos sabidamente cancerígenos, formados pela reação dos halogênios (como o cloro) com os precursores de THM já mencionados.
 
O ozônio, em piscinas, não pode ser utilizado como desinfetante, primeiramente porque sua ação oxidante, mesmo que elimine microrganismos, só ocorre no ponto de contato (local da adição), não deixando residual desinfetante para atuar no tanque da piscina, em razão de sua curta existência (alta reatividade); se esse residual persistir terá de ser destruído por algum meio, pois o ozônio é altamente tóxico e o seu residual máximo permitido no ar, acima da superfície da água, é de 0,1 ppm.
 
Não elimina o uso de cloro para manter residual desinfetante no tanque da piscina.
 
IONIZADOR
 
Aparelho elétrico/eletrônico que produz íons de cobre (algicida) e prata (germicida) na água da piscina. Embora os íons liberados sejam levados para todo o tanque da piscina e não se decomponham pela luz solar, nenhum desses produtos é oxidante portanto não eliminam a cloração para oxidar os materiais orgânicos. Ademais, a ionização não é aceita como desinfetante primário pelas autoridades sanitárias dos principais países (notadamente EUA, Canadá, Austrália) e sim admitido como tratamento auxiliar (secundário) ao cloro.
 
LUZ ULTRAVIOLETA
 
Aparelho elétrico/eletrônico que emite radiação ultravioleta dentro de uma câmara isolada, num ponto da tubulação, por onde a água passa em seu retorno para a piscina. É sabido que a radiação ultravioleta destrói vírus, bactérias e fungos, tanto no ar como em líquidos como superfícies. Mas, ainda assim, tudo isso ocorre somente no ponto de contato e a água do tanque da piscina precisa de residual desinfetante e oxidante, isto é, de cloro.
 
BIGUANIDA POLIMÉRICA
(PHMB ou Poli Hexametileno Biguanida)
 
É o único tratamento químico aprovado por autoridades sanitárias que pode, ser chamado “sem cloro”. Aliás é incompatível com cloro. 1frata-se de um desinfetante que é colocado na água, em altos residuais (30-50 ppm), e que necessita de oxidação rotineira para eliminar os microrganismos morros. Só que essa oxidação não pode ser feita com cloro e sim com água oxigenada (peróxido de hidrogênio), um oxidante de eficácia bem menor que a do cloro.
 
Uma simples análise das tabelas a seguir demonstra que o cloro não pode ser substituído e vai continuar reinando como o produto mais eficaz, mais econômico e mais largamente empregado para tratar água em geral, especialmente a de piscinas, por muitos e muitos anos.
 
A seguir, apresentamos os principais desinfetantes e oxidantes aceitos pelas normas americanas (ANSI — American National Standard Institute), seus níveis recomendados e comentários pertinentes.
 
NSPI/APSP – PARÂMETROS OPERACIONAIS SUGERIDOS PARA PISCINAS.
 

 

A – DESINFETANTES

 

 

Cloro Livre, ppm

 

ANSI/NSPI Standard*

Mínimo

Ideal

Máximo

 

Comentários

 

 

NSPI-1

NSPI-4

NSPI-5

 

1,0

2,0 — 4,0

10,0

Água aquecida e/uso intenso podem requerer operação nos níveis máximos. Recomenda-se oxidação frequente.

 

Cloro Combinado, ppm

 

 

NSPI-1

NSPI-4

NSPI-5

 

0

0

0,2

 

Alto teor de cloro combinado resulta em redução da eficácia da desinfecção. Outros sinais de cloro combinado:
odor forte de cloro e irritação dos olhos e da pele.

 

 

PHMB (poli hexametileno biguanida), ppm

 

Todas as instalações

30

30,0 – 50,0

50

 

Certas classes de produtos ou processos de tratamento são incompatíveis com a PHMB, como cloro e outros halogênios; algicidas à base de cobre, ionizadores de cobre/prata.

Recomenda-se oxidação frequente.

 

 

 

B – OXIDAÇÃO

 

 

Com Cloro

 

 

NSPI
Standard*

 

Mínimo

Ideal

Máximo

Comentários

NSPI-1

NSPI-4

NSPI-5

Conforme necessário

Semanalmente

Determinado pela carga de banhistas, condições meteorológicas

etc.

 

Algumas piscinas podem requerer oxidações diversas vezes por semana.
A oxidação regular é recomendada para prevenir o acúmulo de
contaminantes, maximizar a eficiência do desinfetante, minimizar o teor de cloro combinado e melhorar a transparência da água.
O cloro não deve ser utilizado para oxidar piscinas
desinfetadas com PHMB.

 

 

Com Mono persulfato de Potássio*2

 

NSPI-1

NSPI-4

NSPI-5

Conforme necessário

Semanalmente

Determinado
pela carga
de banhistas,
condições
meteorológicas
etc.

 

Algumas piscinas podem requerer oxidações diversas vezes por semana.
A oxidação regular é recomendada para prevenir o acúmulo de
contaminantes, maximizar a eficiência do desinfetante, minimizar o teor
de cloro combinado e melhorar a transparência da água.
O mono persulfato de potássio não deve ser utilizado
paro oxidar piscinas desinfetadas com PHMB.

 

 

 

  Com Peróxido de Hidrogênio (Água Oxigenada)

 

Todas as instalações

Mensalmente

Conforme necessário

Determinado pela carga de banhistas,
condições
meteorológicas
etc.

O Peróxido de Hidrogênio deve ser utilizado somente
com desinfetantes à base de PHMB.

NSPI
Standard*
1

Mínimo

Ideal

Máximo

 

Comentários

 

Todas as instalações

 

Concentração do ar acima da água da piscina

 

 

 

 

 

 

 

 

 

0,1

 

Média ponderada no período de 8 horas

 

Serve como oxidante de contaminantes da água. Deve ser utilizado junto com um desinfetante aprovado pelo E.P.A.*3
Instalações internas devem ser providas de ventilação adequada.

 

 

 
*1 NSPI-1 2003 — Norma para Piscinas Coletivas; NSPI-4 2003 — Normas para Piscinas 
Residenciais Instaladas Acima do Solo; NSPI-5 2003 – Normas para Piscinas Residenciais.
* 2 Principal ingrediente dos produtos OXIGENCO e SUPER TRATAMENTO SEMANAL GENCO.
* 3 Órgão americano que aprova os produtos desinfetantes para uso em água e no meio ambiente.

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